A Minha Decisão de Domingo


 Hoje decidi sair da casa depois de estar doente em casa durante dois dias. Decidi não fazer planos para a minha “excursão”; no entanto, durante a viagem de metro, decidi que queria visitar a Panteão Nacional. Mal saí da estação de Santa Apolónia, concentrei-me imediatamente no zimbório muito visível, fiquei escondido entre muitos prédios pombalinos e ruas estreitas que me deram um grande orgulho de ser português. Cheguei ao Panteão com grande facilidade e beneficiei de uma grande vantagem: ENTRADA GRATUITA por ser incapacitado. Mais um orgulho de ser surdo. Dentro do Panteão, fiquei maravilhado e surpreendido por saber que Sophia de Mello Breyner está lá; como é óbvio, tirei uma foto. Subi para o terraço do Panteão, apreciei a vista de Lisboa e sentei-me para arejar um pouco e desenhei no meu diário gráfico. Por fim, despedi-me do Panteão. Outra decisão: fazer uma caminhada até à Ribeira das Naus. Como é óbvio, fiz o percurso com grande facilidade. Fiquei espantado de ver milhares de pessoas, inclusive turistas, a vaguear na ribeira e naqueles relvados diagonais com vista para o rio. Eu fiquei entre os portugueses, imigrantes e turistas na relva, deitei-me e sosseguei. Por fim, decidi de novo apanhar o eléctrico 15 na Praça de Figueira até Belém, a viagem durou um bocado chato, pois havia velhotes a entrar e queriam sentar-se. Como sou muito novo para eles, fui obrigado a sair da cadeira, apesar de eles terem dito que eu podia sentar e que estão bem (a modéstia deles), decidi não voltar a sentar-me. Mal cheguei a Belém, não me tinha ocorrido aonde ir, no entanto vi a feira de segunda mão que estava a acabar, decidi passar entre eles, feirantes, até à marginal, e tomei outra decisão: ir para o outro lado da marginal, ao pé do Padrão dos Descobrimentos, tirei umas fotografias, cheguei ao exterior do Museu dos Combatentes, ou do Forte, tirei umas fotografias, e por fim decidi ir até Algés para apanhar um autocarro para casa.
Foi uma das melhores decisões de domingo que tomei na minha vida.

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro

Baloiço



Ando,
Toco, 
Sento-me.

As pernas para cima,
Mãos agarradas nas cordas, 
A cabeça para cima.

Para a frente e para trás. 
Para cima e para baixo. 
Sem ser empurrada.

Balanço o corpo, 
Fecho os olhos, 
Desligo a mente.

As imagens turvas, 
Confusas, 
E barulhentas.

Elas mudam de turvas para nítidas, 
Confusas para limpas,
Barulhentas para silenciosas. 

Não quero saber dos outros. 
Nem onde estou. 
Nem nada.

Eu balanço para onde quero ir, 
Penso como quero,
Ninguém me pode impedir.

Só quero sentir o vento, 
Chegar ao céu, 
Olhar para cima.

Só quero tentar lá chegar, 
Bater os braços, 
E voar.

No entanto, 
Fico por aqui, 
Assente na terra.

É o meu refúgio, 
É a minha segurança, 
Dá-me a minha liberdade.

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro

Amor incondicional


Oh, meu filho,
Meu filhinho amado,
És pequenino,
Tão pequeno para um mundo tão grande!

Sabes uma coisa, meu filho?
Um mundo enorme para explorares,
Adquirires conhecimentos,
Expressares a tua capacidade,
E caminhares o que o teu destino te der.


Oh, meu filho,
Meu filhinho amado!


Sabes uma coisa, meu filhinho amado?
Neste momento, tu precisas de mim,
 

Quando fores criança, precisarás de mim,
Quando fores adolescente, ainda precisarás de mim.,
Quando fores adulto, já não precisarás de mim.

És tão pequenino,
Tão pequeno para um mundo tão grande!


Sabes uma coisa?
Neste momento, sei que me amas,
Em criança, vais dizer que me amas,
Na adolescência, vais dizer que me odeias
Em adulto, já não vais dizer que me amas.


Oh, meu filho,
Meu filhinho amado,
És pequenino,
 

Tão pequeno para um mundo tão grande!

Dei-te a luz,
Dei-te uma vida,
Dei-te uma oportunidade,
Dei-te o meu amor,
Acima de tudo o que fizeres,
Tens o meu amor!

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro

Espelho, meu espelho


-Espelho, meu espelho!
-O que deseja, minha senhora?
-Estou infeliz, muito infeliz!
-Porquê?
-Os meus pais obrigaram-me a casar com um homem que nunca vi na minha vida!
-Que trágico!
-Não quero nada com esse homem! Não sei o que fazer. O que faço?
-Deve obedecer os seus pais e casa com ele.
-O quê? Porquê deveria casar com um homem que nunca vi na minha vida? Não deveria casar-me com um homem que eu amasse e que me amasse?
-Correcto!
-Então porquê disseste que devo obedecer aos meus pais?
-Porque são os seus pais!
-Mas tu concordaste comigo que devia casar-me por amor.
-Sim, correcto.
-Tens noção de que me estás a confundir? 
-Tenho!
-E porquê? 
-Porque eu sou o seu reflexo, limito-me a dizer tudo o que a senhora pensa. Eu não posso mexer-me como eu quero, só posso seguir os seus passos, por isso, estou limitada ao que a senhora pensa!

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro