Baloiço



Ando,
Toco, 
Sento-me.

As pernas para cima,
Mãos agarradas nas cordas, 
A cabeça para cima.

Para a frente e para trás. 
Para cima e para baixo. 
Sem ser empurrada.

Balanço o corpo, 
Fecho os olhos, 
Desligo a mente.

As imagens turvas, 
Confusas, 
E barulhentas.

Elas mudam de turvas para nítidas, 
Confusas para limpas,
Barulhentas para silenciosas. 

Não quero saber dos outros. 
Nem onde estou. 
Nem nada.

Eu balanço para onde quero ir, 
Penso como quero,
Ninguém me pode impedir.

Só quero sentir o vento, 
Chegar ao céu, 
Olhar para cima.

Só quero tentar lá chegar, 
Bater os braços, 
E voar.

No entanto, 
Fico por aqui, 
Assente na terra.

É o meu refúgio, 
É a minha segurança, 
Dá-me a minha liberdade.

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro