Espelho, meu espelho


-Espelho, meu espelho!
-O que deseja, minha senhora?
-Estou infeliz, muito infeliz!
-Porquê?
-Os meus pais obrigaram-me a casar com um homem que nunca vi na minha vida!
-Que trágico!
-Não quero nada com esse homem! Não sei o que fazer. O que faço?
-Deve obedecer os seus pais e casa com ele.
-O quê? Porquê deveria casar com um homem que nunca vi na minha vida? Não deveria casar-me com um homem que eu amasse e que me amasse?
-Correcto!
-Então porquê disseste que devo obedecer aos meus pais?
-Porque são os seus pais!
-Mas tu concordaste comigo que devia casar-me por amor.
-Sim, correcto.
-Tens noção de que me estás a confundir? 
-Tenho!
-E porquê? 
-Porque eu sou o seu reflexo, limito-me a dizer tudo o que a senhora pensa. Eu não posso mexer-me como eu quero, só posso seguir os seus passos, por isso, estou limitada ao que a senhora pensa!

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro