A Avó


Um dia no mês de Agosto, eu estava com a família F. na praia fluvial, algures na Serra da Estrela. 
É um sítio muito lindo e sossegado, o rio é muito transparente e límpido, embora ache estranho que as pessoas da terra não costumem ir às praias fluviais de manhã. Portanto estava eu e a família F. passado algum tempo, apareceu uma avó com dois netos (pareceu-me). Esta avó tinha aspecto de sessenta a oitenta anos de vida, trazia o seu melhor fato de banho, todo preto, mas o que me espantou imenso não foi o fato de banho, foi o peito!! O peito da avó deixou-nos espantados, nem sequer podíamos não reparar no peito dela, ou melhor, nas suas mamas enormes!!! Eram enormes mesmo, não sou perito em mamas nem tenho o menor interesse nelas, mas o tamanho dela deve ser um par de bola de basquetebol. Confesso que, quando a vi pela primeira vez, ocorreu-me apenas uma palavra: mamalhuda. Com certeza que é o centro das atenções.

Mas nem foram só as mamas que nos perturbaram. Quando um dos netos dela fez uma coisinha que avó não gostou, a voz dela fez os pássaros voar dos ramos das árvores (essa parte é ficção, não se preocupem), os ouvintes ouviram mas eu não. Adiante, julguei que ela tinha berrado por estar chateada, mas com o tempo percebi que o volume dela nunca se reduz pois a família F. conseguiu ouvi-la sempre e outras banhistas também, por isso deu para perceber que era cantora de ópera: mais uma vez, o centro das atenções.

A história não terminou aqui pois falta mais uma coisinha. Antes de dizer essa coisa tão misteriosa, tenho de dizer que o rio tem uma prancha para saltar. Não é muito alto, a altura deve equivaler da cintura à cabeça, adiante, essa avó das mamas grandes e cantora de ópera conseguia saltar na boa, saltou mais vezes do que eu! Deu para perceber que um dia foi saltadora profissional!

Um aplauso para a Avó das mamas grandes, cantora da ópera e saltadora profissional.


Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto. 
Pedro Ribeiro 

Mãe?


-Mãe?
-Sim?
(Um momento de silêncio)
-Mãe?
-Sim, querido?
-Tu e o pai casaram?
-Sim, casámos.
-E depois?
-Tivemos-te a ti!
(Outro momento de silêncio)
-Mãe?
-Sim?
-Vocês casaram por minha causa?
-Não, meu querido! Nós casámos por amor.
-Hum... - Olhando o brinquedo. - Mãe?
-Sim?
-O que é amor?

-Hum... - Olhando a barriga do filho, meteu o dedo indicador no umbigo dele. - Sabes, meu filho, o amor é sentir as borboletas no estômago e o coração a bater muito...
-Mãe? - interrompeu-a.
-Sim?
-Existem borboletas dentro do estômago?
-Digamos que sim. É só imaginar.
-Então teria borboletas no estômago se visse uma menina?
-É possível, sim.
-E menino?
-O quê?
-Teria borboletas no estômago se visse um menino?
-É óbvio que sim. Tudo é possível.
-Mas sempre vi um menino e uma menina juntos como tu e o pai! Nunca vi um menino e um menino. Ou uma menina e uma menina!
-Querido...
-Mas existe por aí? - interrompeu-a.
-Sim, claro, mas é raro. Escondem-se muito.
-Porquê?
-Porque os maus não gostam de ver dois meninos ou duas meninas juntos, por isso têm de se esconder.
-Mas o amor é importante para a vida?
-Sim.
-Então porquê é que não gostam? Os meninos ou as meninas não deviam ter amor?
-Porque são maus, só pensam neles próprios.
-Se eu sentir amor por um menino, não vais gostar? E o pai também não?
-Ouve, meu filho. Eu e o teu pai amamos-te e vamos sempre amar-te, pouco importa se tu tens amor por um menino ou uma menina, nós iremos amar-te, e não deves esconder-te por causa dos outros, sim?
-Sim.
(Outro momento de silêncio)
-Mãe?
-Sim?
-Então eu quero sentir as borboletas no estômago como tu e o pai. Só saberei se sentirei amor quando vir um menino ou uma menina!


Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto. 
Pedro Ribeiro