Anteontem fui à praia com duas amigas minhas, é óbvio que não vou dizer o que fizemos na praia, do que falámos, quantos vezes demos mergulhos, etc., eu vim aqui para falar sobre a minha pequena história sobre a praia.
Segundo a minha mãe, quando eu era bebé, eu odiava o mar, recusava ir à água, ficava sempre na areia e brincava com mil grãos de areia. A minha irmã era maníaca da praia, ia sempre para o mar, nadando o mais longe possível. Uma vez, a minha mãe pegou-me ao colo, levou-me até à água, tentou ajoelhar-se para poder molhar-me, eu levantei as pernas para cima para evitar a água, a mãe deitou-me e puxou-me debaixo da água, e desatei a chorar.
À medida que fui crescendo (ainda era pequeno, antes de ser adolescente) eu só me molhava até ao nível dos meus joelhos ou até à minha cintura, no máximo. Se fosse mais do que isso, morria de medo.
Eu já me tinha afogado mais do que uma vez no parque aquático no Restelo. Os nadadores salvadores exibiam os seus corpos mas tinham um ponto fraco: VISÃO (Isso levou a que o parque aquático encerrasse porque duas crianças morreram)! Fui sempre salvo pela minha irmã, apesar de ela ainda ser pequena (eu era mais pequeno, obviamente).
Mais tarde, a minha mãe achou que eu devia praticar natação para ajeitar as minhas costas, aplicar conhecimentos técnicos e enfrentar os meus medos. Fui levado para a natação na Casa Pia e tinha um professor surdo que treinava e eu conhecia-o da associação. No primeiro dia, ele já era o meu cúmplice e eu já tinha matado o meu medo com o fundo da água, mas quando nadava para praticar, imaginava sempre que podia aparecer um tubarão vindo da grelha ou do tubo (não sei como se chama) da piscina e devorar-me mortalmente. Assustava-me com grande facilidade, olhava sempre para o fundo para ver se aparecia um tubarão altamente perigoso e com dentes afiados à mostra. Vá, não gozem comigo pois eu era pequeno e tinha uma imaginação muito fértil (e ainda tenho). Com o tempo, percebi que o tubarão invisível nunca existiu na piscina.
Depois de matar o meu medo, eu já consegui ir mais longe no mar, mas ainda tinha medo (e ainda tenho) de monstros aquáticos existentes debaixo de nós, que podiam puxar-me para o fundo do mar, principalmente se o fundo for escuro, e continuo a assustar-me.
Hoje em dia, eu adoro o mar porque pacifica-me bastante, não consigo viver sem o mar perto de mim. Eu tinha uma casa no Algarve. A porta da entrada tinha uma pequena janela. Quando acordava de manhã para ir à casa de banho, antes de ir, ia sempre à pequena janela e olhava para o mar durante algum tempo. Pacificava-me sempre.
Quando estava instalado em Viena, durante três meses, eu era como um peixe fora de água a tentar voltar para a água. Eu "sofri" durante três meses porque necessitava do mar perto de mim. Mal voltei para Portugal, fui para o mar e fiquei aliviado!
Anteontem foi a segunda vez deste ano que fui à praia para me molhar. Quando dei o primeiro mergulho para dentro de uma onda à minha frente, ao mesmo tempo eu senti e pensei: Sabe bem! É bom matar estas saudades!
Um dia eu espero que tenha uma casa em frente do mar (isso é um sonho impossível mas dizem que os impossíveis não existem)!
Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro