Uma Carta para Ana Raquel Ribeiro

(foto tirada em 2007, na praia de Alvor) 


Olá, minha querida irmã Ana Raquel Ribeiro.



Como estás? Por ai está a correr tudo bem? Já foste buscar o nosso pai? A Charma ficou contente de rever o pai? Um dia destes tens de mostrar-me e à nossa mãe, e claro, à Nina Ribeiro!

Eu vim para aqui para dar-te os parabéns pelo teu dia de anos, juntamente com os meus parabéns atrasados ao pai.

Se estivesses no meu mundo actual, estarias com 34 anos! Podia gozar contigo que terias mais rugas que no dia anterior ao teu dia de aniversário! Quem me dera a rir-me de ti, mas foste embora antes de eu me rir! Não me deixaste ter tempo para poder rir-me de ti! Mas não faz mal e é bom que estejas preparada para ser gozada logo que eu chegar aí.

Nem imaginas como eu te queria aqui ao meu lado, neste momento, no sofá com manta oriental, para poder dar-te um abraço e muitos beijos para dar-te os parabéns!
Ao rever as nossas fotografias, encontrei uma fotografia que foi tirada em 2007, na nossa praia favorita, Alvor! Achei que seria muito fixe de juntar esta foto com a carta.

Olha, a mãe e a Nina mandam-te beijos, parabéns e tudo de bom!

Sem mais dramas meus, queria deixar-te a última frase do texto.

Queria que estivesses aqui ao meu lado e poder dizer-te que te amo muito e tenho saudades tuas.



Parabéns!!



Beijos do teu irmão mais chato do mundo!



Com a ajuda de João Fernandes na revisão do Texto.


Pedro Ribeiro

Madeirenses

Todos os dias, vejo sempre o mar, montanhas com muitas árvores e casas estreitas, pôr-do-sol atrás dos montes, estrelas, lua e casas iluminadas. Lá na minha terra, não me acontecia isso todos os dias. Nunca me fartei disso, nunca!
Uma vez, ouvi da minha colega de quarto, de acordo com o que uma pessoa lhe dissera, que as pessoas continentais que vinham para aqui, quando estavam estressadas e viam o mar, ele deprimia-as. A mim não me aconteceu nada nem à minha colega do quarto. Portanto é estranho! Adiante… Tenho uma bela vista desde as janelas, com um ângulo de um pouco mais de 160º, e nunca deixei de a apreciar! Sabem do que estou a falar, certo?
Madeira! Isso mesmo, Madeira!
Não vou fazer uma biografia sobre a beleza da Madeira pois não existem palavras certas para descrever, só vou falar sobre as pessoas madeirenses que amam incondicional e perdidamente o Cristiano Ronaldo.
Na zona onde vivo, quase sempre e quase todos os dias, vejo um homem na casa dos 50 anos que está sempre lá. Questiono-me sempre o que fazia na rua a qualquer hora que eu olhava, se não tinha uma casa, mas tem várias roupas limpas, ou se quis ficar fora da casa para não gastar... ou então, não sei.
No centro, ou entre a minha zona e o centro, por vezes cruzo-me com um homem: não sei como devo dizer sem ofender... um travesti pouco apropriado. Não quis dizer que o travestismo não é apropriado, até é, queria dizer, esse homem travesti não sabe vestir-se como deve ser, até dava vontade de o ajudar a melhorar mas não sou estilista nem cabeleireiro. Ele tem calvície e tem uma peruca horrível e mal feita. Sei que esse homem travesti tem um ligeiro problema mental, não sei qual é o diagnóstico certo, mas podia tratar-se melhor para ficar um homem travesti mais bonito.
Um mendigo com os filhos no carrinho de bebé. Filhos: quero dizer os cães dele que estavam sempre em cima do carrinho. Ele cuidava-os como se fossem filhos dele, e eu aplaudo-o por isso.
Um mendigo-ou-sei-lá-o-quê tinha a cara muito tatuada, andava sempre pelo centro com uma mochila e tem um ar de roqueiro que parece assustador mas penso que não é assustador se o conhecesse melhor.
“O mundo é tão pequeno!”, dizem alguns colegas de trabalho e até a colega de quarto. Eu discordo! Porque eles conheciam uma pessoa que conhecia outros e blá blá, e dizem sempre isso, mas eu discordo porque o mundo não é assim tão pequeno. É a ilha que é pequena e logo é fácil de conhecer! Eles recusam a minha discórdia e acham que é coincidência, até tem piada pensar nisso… Eles são engraçados!
Deixem-me falar um pouco, ou melhor corrigir o erro estereotipado de que as pessoas madeirenses têm mentes limitadas e fechadas. Não é verdade, a verdade chama-se IGNORÂNCIA. Eu acredito que eles podem aprender coisas novas mas levam o seu tempo. Mas não são más pessoas. Não são! Porque são até os mais simpáticos e humildes que eu já vi! Vou dar alguns exemplos.
No mercado dos Lavradores, muito conhecido na ilha e em Portugal, e até por estrangeiros, realizam sempre a feira nas sextas-feiras e nos sábados. Numa das tendas que costumo frequentar, os vendedores cumprimentavam-me sempre e à minha colega de quarto, principalmente os vendedores mais novos, pois sempre sorriam quando aparecíamos ou um de nós aparecia, tentavam agradar-nos e fazer com que confiássemos neles. Dava-lhes uns trocos, e eles até me perdoavam quando me faltavam uns cêntimos: acontecia sempre assim. Aconteceu uma vez que nos esquecemos de um conjunto de legumes após do pagamento; no outro dia, o vendedor lembrou-se e ofereceu-nos mais ou menos a mesma quantidade, até já ofereceu um pouco mais de frutas ou legumes. Isso é Humildade! Por isso nunca deixei de ser cliente dele! Vou lá sempre que posso ou quando preciso!
Na confeitaria OPAL, muito conhecida no Funchal tal como Padaria Portuguesa e Low Cost no continente, umas empregadas mostravam simpatia, e até uma delas me perguntou se ia para a praia. Isso é ser Amigável! Continuo a ser cliente lá.
Na natação que frequento, o meu professor ficava na boa se eu trouxesse um amigo ou um familiar que participasse numa aula, e sempre me explicou bem o que pretendia que eu fizesse. Isso é Paciência! Quando faltasse a uma aula de natação, sentia-me sempre mal, tenho sempre de lá ir mesmo que esteja preguiçoso ou cansado!
No supermercado, umas padeiras e uns talhantes, cumprimentavam-me e despediam-se de mim com um sorriso quando ia para o balcão deles pedir o que eu necessito. Isso é Respeito!
São coisas simples mas que valem muito! Respeito-os muito!
A única coisa que eu não respeito nada são os motoristas de autocarro! Fui e continuo a ser vítima de violência rodoviária! Não quero escrever nem quero relembrar certos episódios que sofri durante as viagens! O que eu posso implorar é que sejam formados por motoristas da Carris ou dos SCTP numa formação de "Como Conduzir Como Deve Ser"! Só depois poderei perdoar-lhes!

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do Texto.

Pedro Ribeiro

Já não me pertence e outra pertence-me

(foto tirada no aeroporto em novembro)


- Lembras-te qual era o teu desejo, de que me falaste há algum tempo?
- Fora daqui! – disse eu, no momento em que estava no meu antigo emprego, que me fazia feliz, quando soube que tinha de arriscar e mudar de emprego, mudar de espaço e mudar de ares.
- Então é a tua oportunidade, aproveita e agarra essa oportunidade!
Lembro-me como se fosse ontem quando soube de uma vaga que se adequava ao meu perfil e muito longe das minhas memórias, dos meus amigos, da minha família, das minhas zonas favoritas, e principalmente da minha cadela, numa terra desconhecida que João Gonçalves Zarco descobriu.
Naquele dia em que eu parti e abandonei a minha terra, eu chorei no avião a descolar. Chorei porquê? Porque eu tinha um enorme receio de falhar e de não ser feliz numa terra desconhecida. Isso aconteceu em Novembro de 2015.

Como estou hoje em dia?
Hoje em dia, a terra desconhecida transformou-se numa terra conhecida que me transformou numa pessoa diferente! Tal como muitos de vocês desejam encontrar a felicidade, e alguns de vocês não conseguem e outros conseguem, eu sou um dos que conseguiram! Não fui eu que descobri que a terra conhecida me faz feliz, foi ela que me deu a felicidade.
Depois de estar instalado numa terra conhecida, fui visitando a minha terra, fiquei feliz de rever os meus amigos, a minha família, a minha cadela e as minhas zonas favoritas MAS não sou feliz. Foi uma sensação ambígua que me fez sentir que já não pertenço à minha terra. Como por exemplo, ontem no dia 25 de Abril, vagueei em Lisboa e chorei por dentro. Ao rever os meus amigos, chorei por dentro. Isto são saudades! Ao ver os meus amigos, saber que eu não quero voltar à terra natal entristece-me, e fico com algum receio de que amigos e família me achem egocêntrico, mas não é o local que me faz feliz na vida. É a Madeira que me faz feliz!
Para vocês, a Madeira pode ser uma ilha pequena e insignificante, mas para mim, embora seja pequena e mais simples, encaixa na minha vida! Para não falar das pessoas madeirenses, que são mais simpáticas, amáveis e simples. E a natureza é indescritível e maravilhosa! Ainda hoje me espanta bastante!

Eu jamais deixei de amar a minha terra natal mas ela já não me pertence; a Madeira pertence-me! Tudo por causa de uma conversa que tive (no início do texto) com a Mariana Martins, que me é muito querida, que me tratou como se fosse o seu irmão mais novo e que me encaminhou na minha vida! Agradeço-lhe imenso. E agradeço à minha família e aos amigos que me apoiaram e que entendem a minha felicidade!

Um beijo para todos.  

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do Texto.
Pedro Ribeiro