Já não me pertence e outra pertence-me

(foto tirada no aeroporto em novembro)


- Lembras-te qual era o teu desejo, de que me falaste há algum tempo?
- Fora daqui! – disse eu, no momento em que estava no meu antigo emprego, que me fazia feliz, quando soube que tinha de arriscar e mudar de emprego, mudar de espaço e mudar de ares.
- Então é a tua oportunidade, aproveita e agarra essa oportunidade!
Lembro-me como se fosse ontem quando soube de uma vaga que se adequava ao meu perfil e muito longe das minhas memórias, dos meus amigos, da minha família, das minhas zonas favoritas, e principalmente da minha cadela, numa terra desconhecida que João Gonçalves Zarco descobriu.
Naquele dia em que eu parti e abandonei a minha terra, eu chorei no avião a descolar. Chorei porquê? Porque eu tinha um enorme receio de falhar e de não ser feliz numa terra desconhecida. Isso aconteceu em Novembro de 2015.

Como estou hoje em dia?
Hoje em dia, a terra desconhecida transformou-se numa terra conhecida que me transformou numa pessoa diferente! Tal como muitos de vocês desejam encontrar a felicidade, e alguns de vocês não conseguem e outros conseguem, eu sou um dos que conseguiram! Não fui eu que descobri que a terra conhecida me faz feliz, foi ela que me deu a felicidade.
Depois de estar instalado numa terra conhecida, fui visitando a minha terra, fiquei feliz de rever os meus amigos, a minha família, a minha cadela e as minhas zonas favoritas MAS não sou feliz. Foi uma sensação ambígua que me fez sentir que já não pertenço à minha terra. Como por exemplo, ontem no dia 25 de Abril, vagueei em Lisboa e chorei por dentro. Ao rever os meus amigos, chorei por dentro. Isto são saudades! Ao ver os meus amigos, saber que eu não quero voltar à terra natal entristece-me, e fico com algum receio de que amigos e família me achem egocêntrico, mas não é o local que me faz feliz na vida. É a Madeira que me faz feliz!
Para vocês, a Madeira pode ser uma ilha pequena e insignificante, mas para mim, embora seja pequena e mais simples, encaixa na minha vida! Para não falar das pessoas madeirenses, que são mais simpáticas, amáveis e simples. E a natureza é indescritível e maravilhosa! Ainda hoje me espanta bastante!

Eu jamais deixei de amar a minha terra natal mas ela já não me pertence; a Madeira pertence-me! Tudo por causa de uma conversa que tive (no início do texto) com a Mariana Martins, que me é muito querida, que me tratou como se fosse o seu irmão mais novo e que me encaminhou na minha vida! Agradeço-lhe imenso. E agradeço à minha família e aos amigos que me apoiaram e que entendem a minha felicidade!

Um beijo para todos.  

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do Texto.
Pedro Ribeiro