Madeirenses

Todos os dias, vejo sempre o mar, montanhas com muitas árvores e casas estreitas, pôr-do-sol atrás dos montes, estrelas, lua e casas iluminadas. Lá na minha terra, não me acontecia isso todos os dias. Nunca me fartei disso, nunca!
Uma vez, ouvi da minha colega de quarto, de acordo com o que uma pessoa lhe dissera, que as pessoas continentais que vinham para aqui, quando estavam estressadas e viam o mar, ele deprimia-as. A mim não me aconteceu nada nem à minha colega do quarto. Portanto é estranho! Adiante… Tenho uma bela vista desde as janelas, com um ângulo de um pouco mais de 160º, e nunca deixei de a apreciar! Sabem do que estou a falar, certo?
Madeira! Isso mesmo, Madeira!
Não vou fazer uma biografia sobre a beleza da Madeira pois não existem palavras certas para descrever, só vou falar sobre as pessoas madeirenses que amam incondicional e perdidamente o Cristiano Ronaldo.
Na zona onde vivo, quase sempre e quase todos os dias, vejo um homem na casa dos 50 anos que está sempre lá. Questiono-me sempre o que fazia na rua a qualquer hora que eu olhava, se não tinha uma casa, mas tem várias roupas limpas, ou se quis ficar fora da casa para não gastar... ou então, não sei.
No centro, ou entre a minha zona e o centro, por vezes cruzo-me com um homem: não sei como devo dizer sem ofender... um travesti pouco apropriado. Não quis dizer que o travestismo não é apropriado, até é, queria dizer, esse homem travesti não sabe vestir-se como deve ser, até dava vontade de o ajudar a melhorar mas não sou estilista nem cabeleireiro. Ele tem calvície e tem uma peruca horrível e mal feita. Sei que esse homem travesti tem um ligeiro problema mental, não sei qual é o diagnóstico certo, mas podia tratar-se melhor para ficar um homem travesti mais bonito.
Um mendigo com os filhos no carrinho de bebé. Filhos: quero dizer os cães dele que estavam sempre em cima do carrinho. Ele cuidava-os como se fossem filhos dele, e eu aplaudo-o por isso.
Um mendigo-ou-sei-lá-o-quê tinha a cara muito tatuada, andava sempre pelo centro com uma mochila e tem um ar de roqueiro que parece assustador mas penso que não é assustador se o conhecesse melhor.
“O mundo é tão pequeno!”, dizem alguns colegas de trabalho e até a colega de quarto. Eu discordo! Porque eles conheciam uma pessoa que conhecia outros e blá blá, e dizem sempre isso, mas eu discordo porque o mundo não é assim tão pequeno. É a ilha que é pequena e logo é fácil de conhecer! Eles recusam a minha discórdia e acham que é coincidência, até tem piada pensar nisso… Eles são engraçados!
Deixem-me falar um pouco, ou melhor corrigir o erro estereotipado de que as pessoas madeirenses têm mentes limitadas e fechadas. Não é verdade, a verdade chama-se IGNORÂNCIA. Eu acredito que eles podem aprender coisas novas mas levam o seu tempo. Mas não são más pessoas. Não são! Porque são até os mais simpáticos e humildes que eu já vi! Vou dar alguns exemplos.
No mercado dos Lavradores, muito conhecido na ilha e em Portugal, e até por estrangeiros, realizam sempre a feira nas sextas-feiras e nos sábados. Numa das tendas que costumo frequentar, os vendedores cumprimentavam-me sempre e à minha colega de quarto, principalmente os vendedores mais novos, pois sempre sorriam quando aparecíamos ou um de nós aparecia, tentavam agradar-nos e fazer com que confiássemos neles. Dava-lhes uns trocos, e eles até me perdoavam quando me faltavam uns cêntimos: acontecia sempre assim. Aconteceu uma vez que nos esquecemos de um conjunto de legumes após do pagamento; no outro dia, o vendedor lembrou-se e ofereceu-nos mais ou menos a mesma quantidade, até já ofereceu um pouco mais de frutas ou legumes. Isso é Humildade! Por isso nunca deixei de ser cliente dele! Vou lá sempre que posso ou quando preciso!
Na confeitaria OPAL, muito conhecida no Funchal tal como Padaria Portuguesa e Low Cost no continente, umas empregadas mostravam simpatia, e até uma delas me perguntou se ia para a praia. Isso é ser Amigável! Continuo a ser cliente lá.
Na natação que frequento, o meu professor ficava na boa se eu trouxesse um amigo ou um familiar que participasse numa aula, e sempre me explicou bem o que pretendia que eu fizesse. Isso é Paciência! Quando faltasse a uma aula de natação, sentia-me sempre mal, tenho sempre de lá ir mesmo que esteja preguiçoso ou cansado!
No supermercado, umas padeiras e uns talhantes, cumprimentavam-me e despediam-se de mim com um sorriso quando ia para o balcão deles pedir o que eu necessito. Isso é Respeito!
São coisas simples mas que valem muito! Respeito-os muito!
A única coisa que eu não respeito nada são os motoristas de autocarro! Fui e continuo a ser vítima de violência rodoviária! Não quero escrever nem quero relembrar certos episódios que sofri durante as viagens! O que eu posso implorar é que sejam formados por motoristas da Carris ou dos SCTP numa formação de "Como Conduzir Como Deve Ser"! Só depois poderei perdoar-lhes!

Com a ajuda de João Fernandes na revisão do Texto.

Pedro Ribeiro