Já sei que a maioria de vós agradece
e elogia as vossas mães por serem as melhores e únicas mães que têm. E
outros não querem saber das suas mães, têm todo o direito. Mas deixem-me
falar-vos sobre a minha mãe.
Desde
que ela soube que estava grávida de mim, ela não me quis pois uma filha
já lhe chegava, mas depressa mudou de ideias, quis-me. Depois de eu
sair da barriga, ela sempre tentou dar o melhor o que podia. É claro que
alguns momentos da minha infância não me agradaram muito, tal como
quando vivi com um padrasto bêbedo e fumador e eu ficava com muito medo
depois de ele chegar a casa após milhares de copos, discutia com a mãe,
bem me lembro naquele tempo que os velhos perguntavam-me qual eu
preferia: a mãe ou pai. Eu sempre escolhi o pai pois era muito pacifico e
dava-me muita atenção. O que eu não percebi naquele tempo era que a
minha mãe sofria. Mas chegou um ponto em que ela saiu de casa e arranjou
uma casa para ela e para nós (eu e irmã). Tudo melhorou até hoje.
Naquele
tempo, eu e a minha mãe perdemos a minha irmã, assisti ao sofrimento da
minha mãe que a enlouqueceu e não era a única. Agora melhorou!
Digo que estes são maus momentos e imperfeitos, mas tenho boas partes da minha infância.
Naquele
tempo, a mãe sempre teve paciência e ria-se muito por eu imitar pessoas
ou por fazer teatro diante dela e da minha irmã. Eu já lhe dizia mil
vezes que queria ser actor, cozinheiro e motorista, ela apoiava-me,
falando hoje em dia, eu já tinha participado em alguns teatros, já
estudei teatro e amo cozinhar e conduzir. Nada mudou vindo de mim graças
à minha mãe.
Hoje em dia, ela só
me quer ver feliz com as minhas escolhas, decisões e acções. Quando lhe
contei que eu era gay, sabem o que ela disse? Disse que um dia, se
tiver um namorado, podia passar em casa dela e dormir lá, e isso já
aconteceu. Ela estava e está a tentar fazer a minha vida confortável e
normal.
Eu sei que existem mães que não são
iguais à minha mãe e também existem algumas mães que são iguais , mas a
minha mãe é a minha mãe! Eu agradeço-lhe por não me tirar a minha
felicidade nem a vida honesta. Eu orgulho-me muito dela e amo-a mais do
que tudo o que tenho.
Mais um
exemplo: hoje ela não quis dar um passeio comigo por causa do tempo e
porque estava cansada. Isso aborreceu-me um pouco, e adormeci até que
ela me acordou a dizer que queria passear comigo e que se sentiu mal por
eu estar aborrecido. Ela fez isso por ser a minha mãe.
Como
ela tomou e ainda toma conta de mim, pensar no futuro dela
entristece-me e assusta-me bastante, pois neste momento ela é a única
família que eu tenho! Por isso, já decidi há alguns anos que não permito
que ela vá para um purgatório à espera de entrar no outro mundo. Eu
irei tomar conta dela!
Obrigado, mãe!
Com a ajuda de João Fernandes na revisão do texto.
Pedro Ribeiro