Cidade Buraco Negro

(Desenhado por mim)

- Porquê tens de ir agora?! – Gritou a adolescente desesperada.
- Porque é na hora de ir. – Respondeu o rapaz com os olhos apáticos a frente da rapariga.
- Não te entendo! Tens de ir mesmo? – Pegou a mão do rapaz.
- Sim… - Largou a mão da rapariga, virou-se a costas e começou andar.
- Não! – Agarrou o braço do rapaz – Ouve-me! O que há daquela cid… cidade… – Gaguejou-se – Cidade Buraco Negro?! – Horrorizou-se – Daquela cidade… Muitos não saíram vivos! Não é nada seguro! Daquela cidade é tão mórbida!
- Sim… - Murmurou-se – Ninguém é seguro.
- Mas nossa cidade não! Nossa cidade é muito seguro! Adoras a nossa cidade, ou adoravas! És muito feliz lá! Assim do nada, queres ir ao Buraco Negro. Não te entendo!
- Adoro mas tenho de ir. – Olhou nos olhos molhados da rapariga – Eu…
- Tu és feliz a nossa cidade! Sempre fazes com as tuas palhaçadas, disponível para ajudar aos teus amigos e familiares, és tão compreensivo e com mente aberta que nos fazes sentir tão seguros e confortáveis contigo! És feliz… - Soluçou-se – Precisamos de ti! Porque tens de ir a cidade Buraco Negro?!
- Uma pergunta. – Fechou os olhos – Quem te disse que sou feliz? – Abriu os olhos gelados
- A tua cara nota-se! Ou melhor, notava-se! Ou nunca foste feliz?!
- Querida…
- Nunca foste feliz?! – Interrompeu-o.
- Nunca podes compreender. – Pegou a mão agarrada da rapariga – Tenho de ir.
- Não te largo! – Apertou mais forte - Nem pensar! – Gritou – Diz-me que não és feliz?!
- Querida…
- Não! – Interrompeu-o – Só te deixo partir se me respondesses. – Apertou mais forte ao braço do rapaz.
- Se eu respondesse que não sou feliz, o que pode acontecer?
- Iremos ajudar-te!
- Não podem ajudar.
- Porque não?
- Porque nunca iriam compreender. – Desviou os olhos da rapariga – Tenho de ir.
- Eras feliz a nossa cidade, de repente, já não és feliz e já vais embora. Não te entendo!
- Como disse, há pouco tempo, que não compreendias.
- Sabes, daquela cidade, nunca conseguiram sair? Poucos que conseguiram sair.
- Os poucos saíram de lá, são guerreiros que lutam as suas batalhas, diariamente.
- Então queres ser guerreiro?
- Não, mas é o meu dever de ser guerreiro se eu quiser.
- És tão egoísta! Nunca pensaste de nós!! – Gritou.
- E pensaram de mim?! – Olhou com os olhos enfurecidos da rapariga – Já pensaram de mim?
- O que queres dizer com isso?
- A minha cara notava-se que eu era feliz, mas não quer dizer que estava mesmo feliz. – Aproximou-se a rapariga – Como uma cebola!
- Cebola?
- Quando descascares uma cebola, magoa os teus olhos, certo? Que te fazem a chorar, correto? – Rapariga acenou afirmativamente – E ainda tens descascar para poderes comer, certo?
- Certo… Mas o que a cebola tem a ver…
- Tens de engolir a cebola que te fez a chorar, correto? – Interrompeu-a – Portanto, tens fazer mesmo comigo.
- O que raio estás a falar?! – Irritou-se - O que cebola tem a ver com isso?!
- Ouve-me… – Rapaz fechou os olhos – A cebola tem muitas camadas. Tal como os guerreiros… E tal como eu! – Abriu os olhos.
- Mas… - Largou o braço do rapaz – Posso ir contigo! – Rapaz acenou negativamente. – Porque não?!
- Não podes vir comigo se não consegues compreender.
- Mas durante da viagem até lá, posso compreender-te.
- Se fizeres isso, nunca hás de voltar a nossa cidade. Não te permito.
- Não podes obrigar-me. – Limpou os olhos molhados. – Lá quero saber, faço como eu quiser como tu. Vou ter contigo.
- Ouve-me, querida. – Aproximou-se a cabeça dela e sussurrou-se – Se me queres de volta, tenho de ser guerreiro, para isso, tenho de ir a cidade Buraco Negro para poder voltar cá.
- Mas… - Abraçou-a
- Tenho de ser guerreiro e quero ser! – Aproximou-se mais para a orelha da rapariga – Podes não compreender mas respeita a minha decisão. É mínimo que tu podes fazer-me isso. É tudo o que eu peço. – Deu-a um beijo na face molhada e fria.
- Respeito mas… - Rapaz afastou a cabeça da rapariga – Eu respeito mas… - Rapaz largou-a mão – Mas… - Rapaz, de costas, a andar.
- Até breve. – Mão acenada sem olhar a rapariga despedaçada.
-Mas… - A distância entre eles estão cada vez mais longa – Mas… - Mais longa – Mas… - O rapaz estava cada vez mais longe dela – Mas não fiques ao Buraco Negro por muito tempo! – Exclamou-se.


O texto sem revisão por alguém com nativo de Língua Portuguesa.
Pedro Ribeiro